O que é RPG?

Imagine um teatro onde você não recebe falas prontas, você as inventa à medida que o diretor vai descrevendo os fatos. Isso é a essência do RPG.

RPG E ENSINO

Se você já interpretou algum personagem em uma peça de teatro, sabe da dificuldade que é representar. É importante cuidar para que seus maneirismos (sua forma de falar, de agir) não interfiram no comportamento que foi atribuído a determinado personagem. Até a sua forma de pensar terá que ser alterada durante o tempo em que você estiver interpretando. É por isso que o RPG foi adotado como método de ensino em algumas escolas, como é o caso da Escola de Aplicação da UFRGS, por estimular a criatividade, o raciocínio e o trabalho em equipe. Se bem trabalhado, pode até mesmo ajudar alunos que estão com dificuldades em seus estudos, pois os principais temas de RPG são medievais e estimulam a leitura e interpretação de textos, além do estudo de história. Matemática também é estimulada por alguns RPGs, como é o caso de GURPS. Mas muitas outras áreas podem ser estudadas, através de um estudo detalhado de objetivos e da programação de um cronograma de eventos correspondente para o RPG.

UMA VERSÃO PARA CADA GOSTO

Por ser focado em objetivos, cada tipo de RPG foca em uma área diferente – seja o tema temporal (viagem no tempo, medieval, futurista, cyberpunk), fantástico (ultratecnologia, seres míticos), atualidade (enredos políticos, intriga, busca pela verdade, simulação de eventos, análise psicológica, autoafirmação), ou até mesmo os que focam o terror como alvo principal.

Como você pode perceber, há muitas variedades de RPG e cada uma vem com uma finalidade diferente. Eu poderia dizquer que alguns são desenhados para uso de adultos, como é o caso de Vampiro: A Máscara (ou o mais recente Vampiro: O Réquiem), Lobisomem: O Apocalipse, além de Mago: O Despertar. Este tipo de jogo pode exigir uma grande capacidade de raciocínio abstrato, já que oferece muita liberdade criativa (no caso de Mago: O Despertar, devido às escolhas que o jogador faz quanto à própria magia). Note que a capacidade de abstração é justamente uma das capacidades mais importantes para a compreensão de uma relação global entre o conjunto das partes e é muito valorizada em profissionais das áreas administrativas.

Por outro lado, certos RPGs são mais propícios ao uso por crianças e adolescentes, como é o caso de Toon, um RPG voltado para uso de personagens de desenho animado, e Defensores de Tókio (D&T), um sistema simples, voltado aos iniciantes e com grande suporte (atualmente também existe o AD&T, uma versão melhorada do D&T). Estes têm como principal objetivo a diversão por meio da interação social, mas quase imperceptivelmente adicionam novas capacidades aos participantes, como a capacidade de interação social (para os jogadores) e de liderança (para os mestres de jogo).

SEM CONTATO FÍSICO

O RPG possui regras claras que dizem que não pode haver contato físico entre os RPGistas durante qualquer parte das interpretações. Diferente do teatro, grande parte do jogo ocorre com os participantes sentados, apenas gesticulando e conversando. Qualquer ação que envolva a parte física, como correr, saltar, lutar, etc, será decidida através de rolagens de dados, ou outro meio aleatório (cartas, palitinhos, peão, entre outros). Dessa forma, o RPGista possui uma planilha, onde estão descritas as estatísticas de seu personagem. Estas são as linhas-guia que o ajudarão a entender como seu personagem pensa e age, quais suas motivações, seus anseios, seus segredos.

A DURAÇÃO

As sessões de RPG costumam durar entre 2 e 4 horas e nem sempre uma sessão compõe uma história completa. Quando a história possui uma seqüência, a chamamos de capítulo, como em um livro. Quando se tem um grupo coeso (unido) e a história começa a avançar por vários capítulos, então temos uma Campanha.

As Campanhas de RPG podem durar anos. Os próprios criadores do RPG mais antigo do mundo, chamado Dungeons & Dragons ou D&D (Masmorras e Dragões na tradução literal), jogaram por mais de 50 anos. Sua Campanha foi a responsável pelo desenho de todo o Cenário de Campanha conhecido como Greyhawk, o mundo principal de D&D até a mudança recente para a 4ª Edição, quando o cenário oficial passou a ser Os Reinos Esquecidos. No entanto, nada impede que haja intervalos dentro de uma campanha longa. Pode-se jogar a mesma por algum tempo e então utilizar uma história paralela por algum tempo, para depois retornar à trama principal.

 

É dessa forma, como se estivessemos tecendo uma trama, que os eventos vão se desenrolando. Assim como no mundo real, não há vencedores ou perdedores em um jogo de RPG e ninguém sabe qual será o próximo evento que transformará a realidade e dará aos jogadores a oportunidade de tornarem-se os grandes heróis. O que realmente importa é o aprendizado e a diversão que o jogo nos proporciona.

Embarque nessa aventura. Será uma experiência inesquecível!

 

The Guardian

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Estudante do curso de Bacharel em Letras (Inglês) na Universidade Luterana do Brasil, onde cursa o 1º semestre. Mestre de Dungeons & Dragons desde 1995, gosta muito de escrever e também de ler! Atualmente trabalha como professor de inglês técnico (para informática) e dá aulas particulares.

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