:: Mastering I ::

Emboscada

Como não perder seus instintos de Mestre

Eu costumava ser um DM (Mestre de Jogo/Dungeon Master) em tempo integral. Comecei como um jogador de GURPS em Porto Alegre, mas depois que descobri os mundos de AD&D fui eleito mestre oficial do grupo. Sempre me diverti muito com isso, com certeza, mas o tempo foi passando e eu senti que minhas estórias começaram a se tornar menos interessantes do que eram no começo, menos atrativas, e que isso não tinha nada a ver com meu conhecimento técnico do jogo. Era como se algo estivesse faltando… Foi então que um dos jogadores decidiu tentar mudar de papel e tornar-se um DM também. A princípio eu achei que aquilo não ía dar boa coisa, por que ele estava acostumado a interpretar apenas o seu papel e não uma dezena de papéis diferentes, que requerem preparo cuidadoso e estratégico. Desnecessário dizer: Eu estava errado.

Os jogos que se seguiram foram muito diferentes dos meus, me deram novas idéias, nova energia, vontade de recomeçar. Durante o tempo em que eu mestrara, os jogadores haviam passado por um tempo de criatividade suprimida, quando tinham muitas idéias, mas guardavam-nas para si. Essa troca foi fundamental. Cada um vê os jogos de RPG de uma forma diferente e não é provável que uma única mente seja capaz de agradar de forma plena a todos os gostos. Com a passagem da “tocha” para outra pessoa, cria-se uma possibilidade de descansar o cérebro, renovar as energias e aprender coisas novas, sempre.

Eu esperei e fui aproveitando cada uma das novas possibilidades em que me vi imerso ao tornar-me novamente jogador. E eventualmente eu fui percebendo o que tinha faltado em minhas campanhas: a noção de como é ser um jogador e do que é importante para os personagens. Não falo dos jogadores, isso é diferente na verdade. Eu acredito que o trabalho do DM é, em grande parte, criar situações praticamente impossíveis de escapar e esperar que os jogadores descubram formas surpreendentes, que você nunca teria imaginado, de sair da sua armadilha. Isso, a meu ver, é uma característica do D&D.

Mas o que eu realmente me refiro não é isso, é mais sobre aprender sobre a forma como o jogador reage ao que o mestre está fazendo. Enquanto o tempo passava, acho que eu havia esquecido o que era divertido para os jogadores. Eu fiz as coisas mais pelos livros, sabe? Na verdade não sei explicar bem, só sei que fiz tudo diferente. De qualquer maneira, aprendi a coisa mais importante sobre ser um DM, ao menos da minha parte, que é: descanse de vez em quando. Depois de ser um jogador por um tempo, sinto que estou finalmente pronto para voltar ao círculo dos grandes mestres. E ouvir como outro DM lida com certas situações (e secretamente imaginando as diferentes formas que eu teria feito) me fez ver mais à frente do Escudo do Mestre ao invés de me ver apenas atrás dele. Por vezes me via dizendo a mim mesmo “Hmmm, eu não teria feito assim, acredito que desse jeito teria sido muito melhor” e em outras ocasiões “Puxa, que forma incrível de lidar com uma situação dessas! Preciso tomar nota dessa…” Eu evoluí e um tempo como PC não me fez mal algum.

Será que alguém aí teria alguma outra sugestão para tornar-se um DM melhor?

Conto com a participação de vocês. Um grande abraço a todos e uma ótima semana.

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